Agentes comemoram valorização de fontes alternativas no PDE 2019
Capacidade instalada através de PCHs, eólicas e biomassa será de 21.528 MW no
final do horizonte estudado pelo Plano Decenal
6/5/2010
Agentes do setor vêem com otimismo a priorização das fontes alternativas no
Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, divulgado na última terça-feira, 4
de maio, pela Empresa de Pesquisa Energética. Juntamente com as hidrelétricas,
após 2014, segundo o documento, pequenas centrais hidrelétricas, usinas a
biomassa e empreendimentos eólicos serão responsáveis pela expansão
da geração brasileira. De 2014 a 2019, quando a expansão será feita somente
por meio de renováveis, o setor elétrico receberá R$31 bilhões para fontes
alternativas. Em 2019, segundo o plano, a capacidade instalada através destas
três fontes será de 21.528 MW. O PDE 2019 prevê também uma expansão
média anual de 13% para as usinas eólicas, a biomassa e PCHs.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Pequenos e Médios
Produtores de Energia Elétrica, Ricardo Pigatto, pela primeira vez o Brasil está
efetivamente levando em consideração as fontes alternativas na proporção do
seu crescimento. Em 2010, a capacidade instalada das PCHs será de 4.043 MW
evoluindo para 6.966 MW em 2019. Para atingir o valor estimado pelo PDE
2019, segundo o executivo, é necessária maior velocidade na aprovação dos
projetos pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
"É uma previsão desafiadora, mas o setor tem plenas condições de atender.
Precisamos da parceria do governo para fazer com que isso aconteça", disse o
executivo, ressaltando que muitas PCHs não se cadastraram no leilão de
reserva, porque não conseguiram a aprovação dos projetos. "Uma das
exigências da EPE foi o projeto ser aprovado pela agência e como ainda
estavam em análise, muitos ficaram de fora do cadastro", complementou,
ressaltando que a Aneel tem noticiado que até meados de julho, o fluxo de
análise será regularizado.
O PDE mostra uma preocupação do governo em priorizar fontes renováveis de
energia, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica,
Lauro Fiúza. Segundo o executivo, a evolução da capacidade instalada estimada
para as usinas eólicas em 1.436 MW neste ano e de 6.041 MW em 2019 é baixa.
"É uma tendência importante, mas ainda tímida diante do grande potencial
eólico que tem mostrado existir no Brasil".
Fiúza destacou ainda que das 478 usinas cadastradas para o leilão de fontes
alternativas, 399 são parques eólicos, enquanto que as térmicas a biomassa
totalizaram 61 cadastrados e as PCHs apenas 18 usinas. Segundo o executivo, o
mercado sinaliza a tendência do crescimento do empreendimento eólico. Há um
forte desestímulo às PCHs pelas dificuldades ambientais. A biomassa depende
muito da expansão de produção do etanol no Brasil e as eólicas por si só são um
empreendimento gerador de energia. “Nós temos um potencial que pode ser
explorado e que não há ligação com qualquer outro fator econômico".
06 de maio de 2010 – Quinta‐Feira– N# 352
No caso da biomassa, o PDE 2019 prevê uma evolução de 5.380 MW em 2010 para 8.521 MW para o final
do período estudado. Para o assessor em bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza, o avanço pode ser ainda
maior. "Nossa previsão em temos de MW exportados para a rede em 2018/19 é de 22.315 MW e envolve o
aproveitamento do bagaço e também da palha da cana, que está chegando no nosso setor, em virtude
principalmente do fim das queimadas. Então nós teremos um novo combustível que vai aumentar bastante a
geração de energia", disse Souza, ressaltando também que o plano prevê a expansão da produção do açúcar e
etanol”.
Agência CanalEnergia