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Leilão em dezembro busca impulsionar geração de energia por ventos no Brasil
Projetos concorrem uma semana após início da Conferência do Clima. Infográfico do G1 explica como funciona um gerador de energia eólica.
6/11/2009

Emilio Sant'Anna
 Do G1, em São Paulo

 
Não acho ruim termos, por exemplo, investimentos em energia nuclear, mas temos de priorizar as formas mais baratas, renováveis e que agridam menos o meio ambiente"
Pouca coisa pode ser mais "limpa" e "verde" do que simplesmente aproveitar a força dos ventos para gerar energia. Mas pouquíssima energia é gerada no Brasil por esse meio, embora o potencial de geração seja imenso (precisamente, 143 mil gigawatts). Na tentativa de ampliar sua participação na matriz energética, o governo promove, uma semana após o início da Conferência do Clima em Copenhague , o primeiro leilão de energia eólica do país.

 

Somados, os projetos que concorrem têm capacidade de fornecer 13,3 mil megawatts (MW). A capacidade instalada da usina hidrelétrica de Itaipu, por exemplo, é de 14 mil MW. Os 35 "parques eólicos" (aquelas florestas de torres com hélices) já em operação no Brasil somam hoje 547 MW, o suficiente para alimentar um cidade com cerca de 300 mil residências. Nos Estados Unidos e na China, são 25.170 MW e 12.210 MW disponíveis, respectivamente.

 

  

Para 2010, outros 1,1 MW de energia eólica devem entrar em operação no Brasil. O grande salto, espera-se, deve ocorrer mesmo após o dia 14 de dezembro, data marcada pelo Ministério de Minas e Energia para o leilão, originalmene previsto para o primeiro semestre deste ano. A reunião em Copenhague começa no dia 7 de dezembro.

 

No leilão serão escolhidos os melhores projetos de 441 empresas, de onze estados do país, com capacidade para fornecer 13.341 MW.

 

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O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia, João Tavares Pinho, explica que o governo não pretende contratar toda essa capacidade oferecida pelas empresas. “Algumas empresas ainda vão desistir e ficarão as que estão bem consolidadas e em condições de operar”, diz.

 

Pinho afirma que o leilão trará uma vantagem imediata. Com mais escala, é possível ganhar competitividade no valor do megawatt/hora. Hoje, para o consumidor, a energia de fontes tradicionais sai em média R$ 140 o MW/h, explica Pinho. O preço da energia éolica ainda gira em torno de R$ 200 o MW/h.

 

Independentemente do valor da geração da energia eólica, o consultor em energia Paulo Caldas Milano avalia que o mais importante para o país é a inclusão de uma nova matriz energética - que traz com ela o desenvolvimento da indústria nacional.

 

"Não podemos encarar apenas pelos custos, mas também pelo desenvolvimento tecnológico que vai trazer", afirma.

 

Crescimento
Seja como for, afirma o professor, será um avanço para o país no caminho da produção de energia elétrica de fontes alternativas. “Esperamos que desses 13 mil MW, 4 mil MW ou 5 mil MW sejam contratados”, diz Pinho.

Entre 1990 e 2008, a geração de energia eólica no mundo cresceu em média 27% ao ano. Hoje, a capacidade instalada chega a 121 mil MW. Até 2007, a Alemanha se destacava como o país com a maior potência instalada no mundo, 22 mil MW. Em 2008, no entanto, os Estados Unidos superaram o país europeu.

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Potencial dos ventos no Brasil é mais intenso entre junho a dezembro, coincidindo com os meses de menor intensidade das chuvas
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No Brasil, o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado em 2001 pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), indicava a disponibilidade de 143 mil gigawatts (GW). Isso coloca o país entre os mais favorecidos para esse tipo de geração de energia elétrica. 

 

 É um bom negócio, precisamos agora incentivar as faculdades a oferecer a capacitação durante a formação de profissionais"
Com exceção da região amazônica, o potencial dos ventos se distribui pelo território nacional, de forma mais intensa entre junho a dezembro, coincidindo com os meses de menor intensidade das chuvas. O destaque fica para as regiões Nordeste e Sul.

De acordo com o professor da UFPA, isso coloca a energia eólica como potencial fonte suplementar à energia gerada pelas usinas hidrelétricas. “Todas as fontes de energia têm espaço”, diz ele. “Não acho ruim termos, por exemplo, investimentos em energia nuclear, mas temos de priorizar as formas mais baratas, renováveis e que agridam menos o meio ambiente.”

Pinho, porém, faz um alerta. Para que o país possa desenvolver a energia eólica é necessário que se invista na formação de mão obra qualificada para o setor. “É um bom negócio, precisamos agora incentivar as faculdades a oferecer a capacitação durante a formação de profissionais”, afirma.

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